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A responsabilidade dos economistas com o desenvolvimento sustentável PDF Imprimir E-mail
Por CORECON-PI   

"Pobreza não é propriamente a privação de bens,
ser despossuído de dinheiro e utilidades;
mais radicalmente, pobreza é a espoliação da pessoa,
das suas energias biológicas, psicológicas e da auto-estima."

Amarty Sen (economista indiano, Prêmio Nobel de 1998)

Agir para o alcance do desenvolvimento sustentável e pela a inclusão social é responsabilidade de toda a sociedade. Dessa forma quando os economistas brasileiros, organizados institucionalmente pelo COFECON, assumem publicamente essa responsabilidade estão apenas cumprindo o papel que lhes cabe nesse processo. É importante que tenhamos em mente que um ambiente favorável ao processo de desenvolvimento sustentável do Brasil só se consolidará quando todos os que hoje podem se sentir incluídos, assumirem sua responsabilidade diante das necessidades daqueles hoje excluídos e expropriados dos direitos básicos de todo ser humano.

Os economistas, reforçando sua postura de compromisso social, lançaram no último dia 15 de setembro, em Fortaleza, "Um Projeto para o Brasil: A força da unidade na diversidade", que destaca a posição da categoria diante das possibilidades e limites do Brasil em termos de desenvolvimento.  O documento, entregue aos representantes dos partidos políticos e disponibilizado a toda sociedade, representa um marco na história da nossa classe, que assim passa a se posicionar institucionalmente a favor do desenvolvimento sustentável.

O documento significa o primeiro passo diante do desafio de cobrar dos governantes a constante geração de condições para que todas as dimensões que compõem o processo de desenvolvimento sejam adequadamente estimuladas, passando prioritariamente pela valorização da diversidade regional de nosso país. Vale ressaltar que o processo de desenvolvimento sustentável só pode ocorrer quando são estimuladas, ao mesmo tempo, as dimensões econômica, social, ambiental e política-institucional.

A continuidade desse processo, e o compromisso de participar formalmente da promoção do desenvolvimento sustentável do Brasil, serão garantidos pela  Comissão permanente do COFECON, que vai acompanhar o planejamento e a implementação de políticas públicas, e pelo Fórum de discussão do desenvolvimento sustentável. A criação desses instrumentos no âmbito do Sistema COFECON/CORECON's marca a nova postura dos economistas, de comprometimento e efetiva atuação nos cenários econômico, político e social do País.

O primeiro passo proposto é pensar o Brasil em longo prazo, a partir de uma "integração virtuosa", pela qual as regiões são valorizadas e passam a participar efetivamente das definições das prioridades para o desenvolvimento. Assim, é preciso trabalhar fortemente as peculiaridades e as potencialidades de cada região.

Um dos desafios que o documento propõe aos governantes é garantir que o Brasil alcance taxas anuais de crescimento acima de 6% (ao ano) no curto e médio prazo e taxas de investimento próximas de 24% do Produto Interno Bruto (PIB) e não abaixo de 20% como se observou nos últimos 15 anos. Como o papel do Estado é ainda fundamental em nosso país, o alcance do desenvolvimento sustentável exige um compromisso geracional, que extrapola governos, e que exige um projeto nacional, que independa da vontade política de quem esteja no poder. Ou seja, a idéia de planejamento para o longo prazo deve ser fortalecida e implementada a partir das políticas públicas.

Outros pontos que são ressaltados pelo documento dizem respeito a ações relacionadas com a economia, como a mobilização da poupança interna, em contraposição ao rentismo, isto é, ter meta de poupança, em vez de meta de superávit primário; com as questões sociais, ressaltando a imperiosa necessidade de se investir em educação - apoiada na ciência, tecnologia e inovação, ajudando a reduzir as desigualdades; com o cuidado ambiental, especialmente com políticas e legislação que garantam o uso adequado dos recursos naturais, notadamente a água e a energia; e ainda com as questões institucionais, ressaltando a necessidade de estabelecer marcos regulatórios que proporcionem segurança jurídica e melhoraria das relações institucionais, através do aperfeiçoamento do sistema político-partidário.

Fazer essas sugestões saírem do papel e se efetivarem é tarefa das mais difíceis e nada poderá ocorrer da noite para o dia. A mudança de paradigmas e o comprometimento verdadeiro e definitivo virão com a insistência incansável de todos que se sentem envolvidos. Assim, a discussão e o aperfeiçoamento constante dessas propostas iniciais são a nossa "lição de casa". Cada economista é responsável pelo alcance desse desafio. E a interdisciplinaridade que ele enseja deve ser vista como uma oportunidade para nós, cientistas sociais que dispõem de ferramentas variadas e eficientes para atuar dessa forma inovadora.

OS ECONOMISTAS QUE DESENVOLVEREM ALGUM ARTIGO APROFUNDANDO OS TEMAS DO PROJETO BRASIL PODEM ENVIAR O TEXTO PARA PUBLICAÇÃO EM NOSSO SITE. BASTA REMETER OS TRABALHAS PARA O E-MAIL: Este endereço de e-mail está sendo protegido de spam, você precisa de Javascript habilitado para vê-lo

Para mais informações sobre o Projeto, favor entrar em contato com a Assessoria do Conselho Federal de Economia (31) 3224-4385.

*Economista. Doutora em Desenvolvimento Sustentável e Gestão Ambiental (CDS/UnB). Coordenadora do Curso de Economia da Universidade de Fortaleza (UNIFOR) e Presidente do Conselho Regional de Economia do Ceará (CORECON-CE).

 
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